domingo, 23 de maio de 2010

Dignidade

A luta só se perde
Quando se dá a deus a dignidade
Enquanto ela é sua, é também a moralidade
Diga a deus a sua verdade.

A dignidade é não vender a sua luta
A dignidade é ao menos não se trair, vá.
A dignidade é na derrota ser honesto
A dignidade é na a vitória ser honesto

Quem é esse deus que você dá tanto valor?
Em matéria de sacrifício quantos esse deus já salvou?
Não condeno convicções, não mesmo, não senhor.
Sou simples e ignorante quero apenas conseguir me olhar no espelho.

Posso até voltar a trabalhar, por minha opção
Posso até voltar dessa maneira, sem solução
Posso até manter essa tal de educação
Mas, não posso vender o meu espelho, questão de convicção.

A minha convicção é se voltar
Volto triste, irritada e traída e sem dinheiro no bolso
Volto a muito contra-gosto
Se voltar....

O meu Deus me ensinou a me sacrificar pelo que é certo
Pois em matéria de sacrifício pelo certo nem Jesus se salvou.
Meu Deus me ensinou que o livre-arbítrio é o que separa o céu do inferno.
Meu Deus me ensinou a verdade que no final o certo é quem verdadeiramente amou.

Não sei bem para onde desses vou
Sei que em matéria de sacrifício, nem Jesus se salvou.
Não sei bem dá sua fé, sei apenas de seu deus.
Sei que em matéria de dinheiro o final só compra um bom caixão, adeus.

Autoria da cansada, irritada e ....: Tábata de Sousa Londe.

22/05/2010

o servidor público

O conceito por vezes escraviza mais do que clarifica
O servidor público é conceitualmente o vagabundo
A sociedade o vê assim, assim o sou.
Apenas um gasto, o problema governamental brasileiro.

Queria apenas entender o porquê sou assim a antipatriota.
Lutei com inúmeros candidatos desejando a estabilidade e a remuneração, o sonho.
Entrei no sonho, mas o sonho não me entendeu
Hoje apenas luto, a anti-herói brasileira.

Não nego os corruptos, apesar de eles nos negarem a todo tempo
Não quero carregar esse conceito que não pertence aos bons
Em uma terra inexistente entre o paraíso e inferno, sou eu o joio.
A ingerência mudou de nome, o problema de foco, a solução é cortar gastos.
Sou eu o gasto, não o inapropriado eleito pelo povo.

O problema não é o chefe, são os empregados?
Provavelmente não vou agüentar desmandos e incompreensão de tantos que invertem tudo.
Assim, serei mais um gasto até sair para me tornar lucro.
Ao me tornar lucro não trabalharei para o povo, mas para o empresário.

Serei mais útil aos olhos de meu chefe governo, apesar de inútil aos olhos de Deus.
Não posso ao menos fazer greve já que vagabundo eu sou, servidor.
Em todo lugar do planeta investir em empregado é investimento.
No serviço público sou eu gasto, o desmando, o problema.
Não o representante eleito que esconde o seu pecado em nós.

Infelizmente, a democracia brasileira é apenas uma criança.
O servidor é aquele que vai concretizar o governo.
Desvalorizado perde o governo e perde o povo.
Os braços e as mãos do governo não é o presidente.
Do que adianta o Rei sem súditos?

Não peço gordos vencimentos, peço valorização.
Ao entrar no Ministério do Meio Ambiente esperava perceber o século vinte um, e não o dezenove.
A burocracia esconde os corruptos, então para quê acabar com a burocracia?
Mesmo a glória não nos pertence, pois não fiz mais do que deveria.
Sou assim o vagabundo, o servidor

Autoria da cansada: Tabata de Sousa Londe

Agente Administrativo do Ministério do Meio Ambiente.

Em greve!

sábado, 13 de dezembro de 2008

10

Vivemos pra alimentar esse vampiro
Pra garantir que seus crimes nunca sejam punidos
Pra assegurar a felicidade de nossos estupradores

Vivemos para circular
e para manter a circulação
Pra nutrir a engenharia surda

Vivemos para o desejo de viver mais
Pelo desejo de conforto
pra anestesiar nossas engrenagens

Vivemos para assistir a decomposição
de nossos filhos, casa e caráter

Vivemos?

Pois que eu diga que sim
Que sangraremos o vampiro
pendurado em um galho, com um corte no pescoço
Que perfuraremos o estuprador
em cada ponto que nos possa entreter
Que fecharemos cada vaso da cidade
pra conhecer a beleza da gangrena
Que celebraremos o desconforto
de cada passante, pedante e passivo

Daí então, sabendo que a dor do amortecimento é pior do que a da ferida
,
viveremos

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

9

Essas horas vêm
Essas horas vão
Mas não parecem ir
Parecem ficar a mastigar meus ombros

Não tenho hora pra dormir
Não durmo mais
Não tenho dia seguinte

E as horas seguem...

sábado, 15 de novembro de 2008

An Essay on Man

...
Look round our world; behold the chain of love
Combining all below and all above
See plastic Nature working to this end,
the single atoms each to another tend,
attract, attracted to, the next in place
formed and impelled its neighbour to embrace.

See matter next, with various life endued,
press to one centre still, the general good.
See dying vegetables life sustain,
see life dissolving vegetate again:
All forms that perish other forms supply
(By turns we catch the vital breath, and die),
Like bubbles on the sea of matter borne,
they rise, they break, and to that sea return.

Nothing is foreign: parts relate to whole;
one all-extending, all-preserving soul
connects each being, greatest with least.
Made beast in aid of man, and man of beast;
all served, all serving: nothing stands alone;
the chain holds on, and where it ends, unknown.
...

(Alexander Pope)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

8

O que eu preciso eu não quero
O que eu quero eu não devo
E a dívida...
A dívida é tentadora

Eu quero sangrar até afogar cada uma das testemunhas da minha vida

Mas de onde vieram estes escrúpulos?
de não machucar e sentir culpa
E eu sei que não vim pra te acariciar o ego

Mas, e agora?
Por que é que você veio?

Pra botar açúcar nas feridas?
Pra costurar nervos arrebentados?
Ou apenas pra me dar mais uma chance de arrependimento?

Eu não quero presentes
Não entendo esses ressentimentos
Essa flexibilidade tão conveniente
Não vendo mais meus pecados em troca de atenção
Agora, meu tédio se reveza com minha afeição
E eu tenho certeza de que não te busquei
Então, por que é que você veio?

sábado, 8 de novembro de 2008

A Vã-guarda

Marionetes do tédio
Do ‘márquetim’ estéril
De nossas próprias deformidades

Erguem velhos impérios
Igrejas, templos e monastérios
Coretos de perversidades

Degolam o rei
Enforcam o padre
Superlotam cemitérios

Criam nova Coroa
Novas leis
Novas regras de civilidades

Entoam novos hinos
A novas bandeiras, prestam homenagem

E recitam velhos impropérios
E celebram seus egos enaltecidos
E se congratulam mutuamente

Até se desfazerem
Convencidos do fim do conformismo
Convencidos da missão cumprida

Tementes pois sabem
..................................................................
Que toda a raiva do universo espera