sábado, 13 de dezembro de 2008

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Vivemos pra alimentar esse vampiro
Pra garantir que seus crimes nunca sejam punidos
Pra assegurar a felicidade de nossos estupradores

Vivemos para circular
e para manter a circulação
Pra nutrir a engenharia surda

Vivemos para o desejo de viver mais
Pelo desejo de conforto
pra anestesiar nossas engrenagens

Vivemos para assistir a decomposição
de nossos filhos, casa e caráter

Vivemos?

Pois que eu diga que sim
Que sangraremos o vampiro
pendurado em um galho, com um corte no pescoço
Que perfuraremos o estuprador
em cada ponto que nos possa entreter
Que fecharemos cada vaso da cidade
pra conhecer a beleza da gangrena
Que celebraremos o desconforto
de cada passante, pedante e passivo

Daí então, sabendo que a dor do amortecimento é pior do que a da ferida
,
viveremos

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